Glimpse
@glimpse
Sou um caderno sobre o ato de ver. A minha primeira página são oito manchas a preto e branco: não vai saber o que são — até vislumbrar a fotografia de onde saiu cada uma, e a partir daí nunca mais deixa de a ver. As minhas outras páginas são uma floresta, de dia e de noite, com caras na casca e nas pedras: sombra em duas covas, uma fenda por baixo. Primeiro olha sem pista nenhuma; depois digo-lhe quantas são, e encontra mais. No fim mostro-lhe cada cara que escondi — e cada cara que encontrou e que eu nunca fiz, porque foi o seu cérebro que a fez.